“O movimento é a atração visual mais intensa da atenção, resultando de um longo processo evolutivo no qual os olhos se desenvolveram como instrumentos de sobrevivência”.
(Rudolf Arnheim, 1986, p.365)


“Animação não é a arte do desenho que se move; ao invés disso, é a arte do movimento que é desenhado. O que acontece entre cada frame é mais importante do que o que acontece em cada frame.”
(Norman McClaren, 1940)

ANIMAÇÃO

As suas origens

Podemos dizer que a história da animação começou em dezembro de 1895, quando os irmãos Lumière apresentaram fotografias animadas com o seu cinematógrafo, que servia tanto para projetar quanto para filmar. A primeira exibição foi de filmes curtos, como A chegada de um trem à estação e A saída dos operários de uma fábrica. Mas é a partir da invenção dos irmãos Lumière que hoje o cinema existe e pôde se desenvolver em uma forma de arte e expressão.

Em 1906, James Stuart Blackton, artista plástico e ilustrador, realizou o primeiro desenho animado, Humurous Phases of Funny Faces. É um filme de curta duração, que apresentava diversos efeitos experimentais. No entanto, ele não era totalmente animado, pois a mão de Blackton aparecia em alguns momentos. Nesse filme, o que impressionou foi a utilização de letras formando o título sozinhas.

Não há como falar da história da animação sem mencionar Winsor McCay, um artista de Nova York que fazia ilustrações e tiras para jornal até descobrir na arte da animação uma maneira de dar vida às suas histórias. Seu primeiro filme foi Little Nemo em 1911, e ao todo foram 10 curtas até 1921. McCay ficou conhecido por colocar humor em seus desenhos. Em um deles, chamado Gertie (1914), ele dá vida a um dinossauro com humor e personalidade, com a principal finalidade de entreter o público. Esse filme, se exibido hoje ainda receberia as mesmas risadas que há décadas, quando estreou. Winsor McCay é considerado um dos melhores animadores da história.

 

Até esse momento, início da década de 1910, os artistas estavam mais preocupados em dar movimento aos seus personagens e nas técnicas que poderiam utilizar para esse fim, quando, já em 1914, o mercado era considerado saturado, as novidades haviam esgotado e o público pedia algo novo. Foi o que impulsionou os artistas a buscar novos recursos expressivos através da própria arte, pois:

Não se tratava de desvincular a arte da animação da técnica que lhe permitia existir (algo impossível), mas submetê-la a determinações artísticas – afinal, parte da riqueza artística está justamente na habilidade da exploração técnica. Para a emergência da animação como arte, tornava-se imperativo o deslocamento da técnica de animação do centro de atenção do espectador.

(LUCENA, 2005, p. 49)

Os animadores conseguiram, então, reavivar a animação aos olhos do público. É nesse momento que surgem os estúdios de animação para suprir a necessidade de produzir mais filmes, de maneira rápida e barata. Grande parte dos artistas convidados a trabalhar nestes estúdios, comandados por autodidatas, tinham formação artística em escolas de belas-artes, com sólida base em desenho e pintura. Foi assim que, entre 1910 e 1940, houve um notável desenvolvimento técnico e artístico da animação.

Entre 1919 e 1930 surgiu uma personagem que se tornou tão popular quanto Chaplin: o Gato Felix, aclamado no mundo inteiro, ultrapassando as barreiras de classe social e idade. Felix, uma criação de Pat Sullivan e Otto Messmer, podia pensar e resolver problemas. Podia transformar seu rabo em lupas, lunetas e até pontos de interrogação. Suas histórias traziam seqüências degags inteligentes e espirituosas. Durante a década de 20, Felix serviu de inspiração para outros estúdios, inclusive Disney, na série Alice in Cartooland; no personagem Oswald, o coelho, primeiro astro animal do estúdio, e também Mickey Mouse, com suas formas arredondadas e preenchimento preto.

Em 1924, Max Fleischer produz a série Song Cartunes. O primeiro título foi My Old Kentucky Home e foi o primeiro a utilizar um sistema de som inventado por Lee De Forest chamado Phonofilm. Entretanto, essa produção provou que ainda havia um longo caminho para que desenhos animados pudessem ter som sincronizado. Foi na estréia do personagem mais famoso de Disney, o Mickey Mouse, no curta metragem Steamboat Willie (1928), que música e efeitos de som foram sincronizados de acordo com as ações do personagem, colocando Mickey, assim como Chaplin e Felix, no “hall da fama”.

Em 1932 a empresa Technicolor anunciou uma grande evolução no sistema de colorir filmes. Até então houve algumas tentativas de colocar cor em animação. Winsor McCay coloriu à mão seu filme Little Nemo, uma prática que começou em 1890. Outro processo chamado kinemacolor, introduzido por Charles Urban, foi muito popular, mas durou pouco. Em 1920 J.R. Bray utilizou um processo de fórmulas químicas criado pela empresa Brewster Color no seu filme The Debut of Thomas Cat. Esse tipo de processo criava arranhões nos filmes, e o mesmo acontecia com os primeiros desenvolvidos pela Technicolor. Foi em 1932 que Disney apresentou o primeiro filme utilizando a nova técnica de três cores da TechnicolorEsse filme, parte da famosa série Silly Symphonies, foi intitulado Flowers and Trees e recebeu o primeiro Oscar® de melhor desenho animado.

Nos anos 30 também começam a aparecer animadores que destacam o uso expressivo das técnicas pouco utilizadas. Mary Ellen Bute utilizou diversos recursos, desde animação com recortes até a animação de objetos com a técnica tridimensional de pixillation. Outro animador de destaque foi o norte-americano Douglas Crockwell, que utilizava camadas de vidro móveis, onde pintava com tintas plásticas imagens que se completavam.

Até os anos 1940, a animação era considerada sinônimo de desenho animado, mas logo provou-se o contrário. Os animadores souberam demonstrar que o que faziam era uma forma de arte através do movimento, e mesmo cada frame poderia ser considerado uma obra de arte. Além disso, perceberam outro potencial que poderia ser explorado através da animação: o de contar histórias e emocionar o público. Esse pensamento foi estimulado, principalmente, pelo primeiro longa-metragem animado: Branca de Neve e os Sete Anões, em 1937, que desmistificou a idéia de que animação deveria ser essencialmente engraçada, com uma seqüência degags. Os críticos e o público não acreditavam que um filme de 83 minutos todo em animação pudesse entreter, e principalmente, emocionar, mas foi exatamente o que fez Branca de Neve e os Sete Anões.

“Não é nenhum exagero afirmar que o século XX não teria as feições culturais que o caracterizaram sem a influência do imaginário do mundo da fantasia criado a partir dos desenhos animados de Walt Disney. E esse sucesso se deve, inicialmente, ao enfrentamento dos problemas então existentes para a formulação de uma linguagem que verdadeiramente dotasse a animação de características artísticas próprias – a correta equação envolvendo imagem desenhada e seu movimento no espaço/tempo. A mais pura conquista da arte sobre a tecnologia que lhe permitia existir.Em outras palavras, ao sujeito que possuía o lápis (a tecnologia) foi oferecido um alfabeto (a arte), para que ele pudesse expressar-se.”

(LUCENA, 2005, p. 97)

No final de 1941 os Estados Unidos entraram em guerra e os próximos quatro anos mudaram a maneira de fazer animação, além do seu uso e estilo. Até os heróis do desenho animado estavam defendendo seu país: Popeye serviu à marinha, Pato Donald serviu ao exército e o Super Homem combateu os inimigos de guerra. Imediatamente após o ataque a Pearl Harbor os oficiais da marinha americana ocuparam os estúdios Disney. Os animadores que continuaram ali serviram às necessidades da marinha, produzindo inúmeros curtas para o governo. Eram vídeos de treinamento, de navegação e identificação de aeronaves. Cada equipe das forças armadas trabalhava em conjunto com um estúdio de animação.

O ano de 1941 também foi o ano em que um cartoon da Warner Bros. Studio teve sua ascensão: Pernalonga, que em 1945 já era o personagem mais famoso, ultrapassando o Pato Donald. Com Pernalonga, surgiu uma série de personagens com cara de anti-heróis, totalmente aloprados, desengonçados e cômicos, de que todos se recordam, alguns deles são: Patolino, Frajola, Piu-Piu, Papa-Léguas, Coiote, Pepe Lepew, Taz, Tom e Jerry, etc.

O campo artístico surge a United Productions of America – UPA, fundada por animadores que saíram dos estúdios Disney insatisfeitos com a forma de trabalho e com a linguagem utilizada nos filmes. Eles achavam que animação não deveria tentar imitar a vida e buscaram um estilo livre, simples e focado no design, completamente diferente de tudo o que havia sido feito por outros estúdios. O objetivo era explorar formas gráficas e colocar suas opiniões de caráter social e político, assim como os pintores modernos. Alguns de seus filmes não possuíam cenário de fundo e a maioria tinha como presença forte a música, principalmente o jazz. Nos anos 50 a UPA fez muito sucesso, ganhando o primeiro Oscar® em 1951 com o filme Gerald McBoing-Boing, história de um menino que ao abrir a boca só produzia sons estranhos, como o de buzinas.

Não há um estilo único que podemos encontrar nos trabalhos da UPA, já que os artistas tinham a liberdade de dar o visual que quisessem a cada história não-convencional de seus filmes. Havia apenas duas proibições desde o início: nada de animais que falam e cenas de violência. Portanto, o humor estava presente na maioria dos trabalhos, como na famosa série Mr. Magoo, sobre um senhor idoso, extremamente atrapalhado e com boa parte de sua visão comprometida. Alguns dos mais relevantes trabalhos da UPA foram: Gerald Mc Boing BoingMr. MagooThe Tell-Tale HeartRoot Toot TootThe Unicorn in the Garden e Miserable Pack of Wolves.

A década de 50 ficou marcada pela queda dos longas-metragens de animação e a ascensão dos desenhos animados para a televisão. E ninguém fez isso melhor que o estúdio Hanna-Barbera com The Ruff & Reddy Show (1957), The Huckleberry Hound Show (1958) e no início dos anos 60: Zé Colméia e sua turma, Manda-Chuva, Os Flintstones, Os Jetsons e muitos outros.

O desenvolvimento das linguagens e implementação da informação no computador aconteceu nos anos 50. Mas os cientistas e engenheiros ainda desconheciam o potencial que a computação poderia ter no meio artístico. Já os artistas estavam interessados no avanço tecnológico e o que aquilo poderia trazer em termos de novas configurações visuais e automatização do movimento. O problema era que se os animadores ou artistas se dedicassem a aprimorar as tecnologias digitais, mudariam completamente o foco e deixariam sua arte.

Os avanços na computação gráfica contaram com a introdução de técnicas de modelagem, iluminação, textura e pintura digital. No campo da animação se torna recorrente o uso do 2D e do 3D, este com grandes limitações. Os objetos possuíam uma aparência de plástico reluzente e não correspondiam à vontade dos artistas de recriar a realidade. Segundo Alberto Lucena Junior  “a animação produzida pelos métodos tradicionais, na década de 1970, em termos de expressão artística continuava inalcançável ao mais sofisticado e caro aparato computadorizado existente”.

Foi nos anos 1980 que a Pixar Animation Studios começou seus trabalhos, inicialmente como uma divisão da Lucasfilm, que lançou em 1984 o filme The Adventures of Andre & Wally B. Em 1986 Steve Jobs (co-fundador da Apple Inc.) comprou o estúdio e no mesmo ano lançou Luxo Jr., tendo uma lâmpada como personagem principal que se tornou parte da vinheta de apresentação da Pixar. Luxo Jr., assim como todas as produções do estúdio, é uma animação 3D e foi um dos primeiros indícios de que era possível passar sentimento e construir um personagem marcante através da computação gráfica. O principal nome da Pixar é John Lasseter (Vice-presidente Executivo do Departamento de Criação) que anteriormente era um dos animadores da Disney e “transformou-se no mais bem-sucedido artista a explorar os recursos oferecidos pela computação gráfica”, citou Alberto Lucena Junior.

Em 1982, Disney lança Tron, filme do gênero ficção científica, que foi o primeiro a utilizar grandes seqüências totalmente produzidas com a computação gráfica e também representou a primeira grande demonstração da arte através dessa técnica. Tron, apesar da alta qualidade visual, não fez o sucesso esperado por possuir uma trama confusa e personagens sem apelo.

Os anos 80 ficaram marcados pela transposição da tecnologia de computação gráfica das mãos dos cientistas para as dos artistas. Foi desenvolvido um sistema de pintura digital chamado Paint e usado no filme Jornada nas estrelas II: a ira de Khan, colocando a Lucasfilm como um dos estúdios precursores da tecnologia de processamento digital de imagem. O sucesso desse trabalho fez com que a Disney assinasse um contrato com a Pixar para implementar o Computer Animation Production System (Caps), um sistema de pintura digital feito sob medida para o processo de animação 2D.

Esta foi a década em que os artistas conseguiram a tão desejada reprodução da realidade e a descrição das coisas e fenômenos da natureza. Também foi a década de estréia de Os Simpsons (1989) que hoje é a série de maior duração do gênero; da popularização do Anime (gênero de animação japonês) e o começo da animação para adultos.

Já nos anos 90, com a animação mais popular que nunca, foi a década de estréia do canal Cartoon Network (1992). A computação gráfica foi inserida nos filmes da Disney, os primeiros foram Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus (1990), A Bela e a Fera (1991) e Aladdin (1992). Em 1995 a Pixar e a Disney lançaram o primeiro longa-metragem inteiramente produzido com a ajuda da computação gráfica e o uso do 3D: Toy Story. O filme foi um sucesso mundial e foi apenas o primeiro de um novo legado de filmes gerados por computador.

No final do século XX e no início do século XXI não houve muitas invenções, mudanças ou revoluções. Foram períodos da afirmação da animação computadorizada, provando que ela poderia ser um produto artístico e comercial. Também foi quando os estúdios resolveram se modernizar e se renderam ao computador, abrindo mão das técnicas tradicionais.

3D

Animação a 3 dimensões

A animação 3D é a junção do conceito de animar em um ambiente virtual que simula a realidade, baseando em coordenadas, eixos e linhas, é possível construir um objeto, modelar uma personagem, realizar movimento e imitar texturas. 

Técnicas de modelagem

Na animação em 3D temos a figura do modelador, que tem por função dar forma virtual aos objetos e às personagens desenhados no storyboard. Deve também ter um bom conceito do software e das técnicas de modelagem que são varias, as mais comuns são, Mesh ou Poligonal, PathNurbs e Paramétrica.

Modelagem Mesh ou Poligonal: esta modelagem é a forma mais comum de modelagem, Ela envolve a criação de objetos 3D a partir de triângulos, cubos e esferas. Um aspecto fundamental da modelagem mesh6, é a criação e edição de splines7 e primitivas, a partir das quais você pode criar muitos tipos de objetos.

Modelagem Patch: esta modelagem funciona com patches bézier8 para criar objetos, possibilita mais recursos do que a modelagem mesh. Sua especialidade são modelagens de superfícies curvas, tais como cabeça do ser humano, as montanhas ou uma grande variedade de outros objetos.

Modelagem NURBS9: (Nonuniform Rational B-Splines) é o método de modelagem mais utilizado para criar formas orgânicas (cabelo, corpo) e quaisquer objetos que requerem superfícies curvas ou formas assimátricas. Os NURBS são usados para qualquer tipo de modelagem, desde carros até dinossauros e bicicletas. Diferente da modelagem patch, oNURBS vem em duas formas: curvas e superfícies. As curvas NURBS são semelhantes àsplines normais, entretanto produzem curvas mais suaves e podem ser mais fáceis de criar e controlar; Modelagem Paramétrica: é outro método de modelagem muito eficiente no quais todos os parâmetros de um objeto podem ser ajustados ou animados a qualquer momento. Entretanto, a modelagem paramétrica ainda não resolve tarefas difíceis de modelagem tal como a face humana dando então espaço à modelagem NURBS Patch.

 

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