Instalações Interactivas

A maioria das instalações artísticas atuais que utiliza recursos tecnológicos digitais possui uma estrutura semelhante, definida pelo próprio funcionamento do computador. Este texto tem como objetivo, pensar essa estrutura em seus diversos aspectos, contribuindo tanto para a criação quanto para a reflexão sobre essa modalidade artística.

Decidimos por observações mais gerais, sem mencionar instalações específicas, pela extensão que cada exemplo de possibilidade apontada tomaria, ficando essa tarefa para um outro momento.

Para alcançar esse objetivo, pensamos na instalação interativa como uma obra que tenha “pessoas num espaço, interagindo com um aparato ou evento, produzi- do com o auxílio de algum recurso tecnológico, de forma geral o computador”.

As pessoas

Se pensarmos nas pessoas que vão ver uma instalação, encontraremos vários aspectos para serem explorados. Quando vamos ao cinema, tomamos uma deci- são para isso, nos preparamos para irmos ao local e permanecemos numa sala escura durante duas horas em média. Lá, sentados confortavelmente, pratica- mente abandonamos o nosso corpo, e nos tornamos espectadores (que assis- tem), mas mentalmente vivenciamos os personagens, sentimos alegria, tristeza, suspense, raiva etc.

Nas instalações interativas, o espaço, o tempo e o nosso comportamento têm características diferenciadas dessa situação mencionada no cinema. Nesse tipo de instalação o corpo é requisitado para agir fisicamente de alguma maneira, e não apenas assistir a um evento, através da contemplação e reflexão. Não queremos dizer com isso que uma modalidade seja melhor ou pior, apenas apontamos características diferentes. Num grau menor, durante a leitura de uma pintura também temos diferentes diálogos corporais com a obra, pela dimensão dessa, que nos afasta ou nos aproxima, numa relação mais intimista ou coletiva, até pública como é o caso do mural. Numa pintura impressionista ou mesmo em outros casos, o nosso andar em direção a ela, muda os aspectos visuais da obra, mas na verdade a obra não sofre mudanças na sua fisicalidade, é a nossa percepção que provoca leituras diferenciadas. Nas instalações interativas esse aspecto é ressaltado, modificando fisicamente a obra e para isso requisitando a atuação corporal do público.

As pessoas de certa maneira sempre estiveram envolvidas nesse limite entre ser espectador, autor e a própria obra.

Nas instalações interativas, denominações como interator, interagente e outras são utilizadas para o personagem que precisa realizar ações corporais para que as obras se completem. A pessoa é envolvida desde a sua aproximação, pois sabe que uma participação talvez seja necessária para a fruição da obra. Quando entra numa instalação, a primeira coisa que vai reparar é se está sozinha ou se há outras pessoas no local. Se a instalação funciona com uma pessoa de cada vez, ela vai ficar observando o outro interagir e vai se sentir atraído ou não para experienciar o evento, pois a lógica e a compreensão da obra pode ser captada, mas se o evento proporcionar uma experiência, uma sensação individual, a maioria vai querer participar.

“A popularidade da experiência estética em grupo se deve ao fato, dos seres humanos serem criaturas sociais que precisam e aparentemente gostam de interagir entre si. Em contraste, usuários da WWW e de CD-ROM normalmente realizam uma interação solitária.”

(RITTER, 2000)

O Espaço

O espaço da instalação vai criar a primeira impressão na pessoa, não apenas os aspectos visuais ou sonoros, mas o ambiente total.

“As instalações interativas são apresentadas freqüentemente como ambientes abertos para a exploração, com cada realização determinada pela ação individual, curiosidade, e jogo.”

(WINKLER, 2000)

Encontramos espaços: naturais, construídos, pequenos, grandes, fechados, claros, escuros, vazios, cheios, lisos, texturados, silenciosos e sonoros. O espaço arquitetônico, o site específico e as salas preparadas especialmente, são escolhidos ou produzidos com o objetivo de buscar um ambiente que esteja de acordo com o conceito da obra e ao mesmo tempo para capturar o público. Porém, até pouco tempo as salas das instalações necessitavam ser fechadas e escuras por motivos mais técnicos que conceituais, por causa da utilização de projetores de slides e vídeos que necessitavam dessa condição. Atualmente com projetores de alta luminância, a sala fechada e escura só se faz presente se necessária ao conteúdo do projeto, pois as imagens podem ser projetadas e visualizadas em ambientes claros. Já com o som, pela própria especificidade física, este problema ainda é difícil de ser resolvido, mas encontramos algumas soluções técnicas com a utilização de headphones e cúpulas no teto que delimitam um pouco o som a uma região.

Algumas instalações são abertas e visíveis de vários pontos de vista, enquanto outras, são fechadas e, só a ou as pessoas que vão interagir tem acesso. Outras criam corredores para a passagem do exterior para o interior, com objetos, imagens, sons, textos ou simplesmente o vazio, como uma preparação na mente do público antes de tomar contato com a obra.

A área da instalação também não necessita ser um espaço delimitado, e pode ocupar vários locais dispersos, solicitando do público a montagem da obra na mente, como um quebra cabeças para ser montando, ou um sistema no espaço. Esses locais dispersos podem ganhar novas características com os sistemas de comunicação digital, onde a distância e a interação física fica relativizada, pois com a Internet e a mecatrônica, a telepresença se torna um fato, permitindo que o interagente interfira fisicamente na instalação, mesmo à distância.

Os Interfaces

O digital trouxe novas possibilidades nas tecnologias de comunicação, tornando a produção e a discussão sobre as interfaces um fato dentro do campo da Arte- Tecnologia. Como o computador é a forma predominante no mundo digital, partiremos dele como referência.

Desde que o computador se tornou um produto mais acessível, ele tem sido utilizado das mais diversas formas pelos artistas. Como sempre aconteceu nos tempos, o artista sempre usa a sua criatividade para modificar e explorar os materiais que utiliza.

Na arte Cinética presenciamos os artistas desmontado aparelhos e dando outras funções diferentes das originais para os aparatos mecânicos e elétricos. A Vídeoarte também presenciou o mesmo fato e agora com a tecnologia digital as possibilidades se ampliaram.

Os designs de interfaces surgem para que determinados tipos de interação através do corpo do interagente aconteçam.

Existem sensores de movimento, luz, calor, som, pressão, umidade e outros fatores físicos. Eles ampliam a nossa sensibilidade frente aos fenômenos físicos. A forma de utilização dos sensores também pode ser explorada através do campo sensível que ele cria no espaço.

As câmeras têm sido utilizadas como uma interface rica de informações, na medida em que a imagem digital pode transformar cada pixel em um link para alguma ação do programa. Os movimentos do público captados pelas câmeras funcionam como o cursor na tela do computador, desencadeando uma série de eventos. Essas imagens inteligentes e sensíveis têm predominado nas instalações mais interessantes.

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